Flexibilidade deixa de ser benefício e passa a integrar a proposta de valor das empresas, com impactos diretos na estratégia de RH e na liderança.
A consolidação do trabalho híbrido e remoto redefine, de forma estrutural, a agenda de Recursos Humanos nas empresas brasileiras. É o que indica a Pesquisa Global de Consumo MARCO 2025, realizada em sete países, segundo a qual quase 70% dos profissionais preferem modelos de trabalho híbridos ou majoritariamente remotos. O estudo ouviu 4.598 pessoas no Brasil, México, Espanha, Portugal, França, Itália e Alemanha.
De acordo com os dados, 73,6% dos entrevistados acreditam que o trabalho híbrido veio para ficar, sinalizando que a flexibilidade deixou de ser uma resposta conjuntural à pandemia e passou a ser uma expectativa permanente dos profissionais. Para o RH, o resultado reforça a necessidade de rever políticas de atração, retenção, engajamento e desenvolvimento de lideranças.
No recorte global, 42,8% preferem o modelo híbrido, enquanto 26,8% optam por uma dinâmica majoritariamente remota. Apenas 17,6% demonstram preferência pelo trabalho totalmente presencial. Além disso, 66,7% dos participantes afirmam que o trabalho híbrido não compromete a cultura organizacional nem a conexão entre colegas, reduzindo um dos principais receios das empresas em relação à flexibilidade.
Ao avaliar ofertas de emprego, os entrevistados atribuíram notas elevadas tanto ao salário (8,3/10) quanto ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional (8,2/10), seguidos por trabalhos interessantes (7,9/10) e oportunidades de crescimento (7,7/10). O resultado indica que remuneração e bem-estar caminham juntos, exigindo do RH uma proposta de valor mais ampla e integrada.
Brasil lidera preferência pelo trabalho remoto
Na América Latina, a pesquisa revela contrastes importantes. O Brasil se destaca pela forte preferência por modelos remotos, enquanto o México apresenta maior inclinação ao trabalho presencial, refletindo diferenças culturais, econômicas e de infraestrutura. Para especialistas em gestão de pessoas, o dado reforça que políticas globais precisam ser adaptadas às realidades locais.
Gestão Pessoas
Na Europa, o modelo híbrido também predomina. Itália e Portugal lideram a preferência pela combinação entre trabalho presencial e remoto, com cerca de metade dos entrevistados optando por esse formato. Espanha, Alemanha e França seguem a mesma tendência, ainda que com intensidades distintas. No conjunto dos sete países analisados, a flexibilidade aparece como o principal atributo valorizado no emprego.
Liderança adaptável ganha protagonismo
A pesquisa MARCO 2025 também lança luz sobre o papel da liderança nesse novo contexto. Responsabilidade (8,5/10), capacidade de resolver problemas (8,3/10) e comunicação (8,3/10) foram apontadas como as competências mais relevantes em líderes. Além disso, 90,4% dos entrevistados acreditam que gestores devem adaptar seu estilo às necessidades individuais das equipes, reforçando a centralidade da empatia e da personalização da gestão.
“Os dados confirmam que a flexibilidade não é mais um benefício, mas uma expectativa básica”, afirma Kim Piquet, Chief Digital Officer da MARCO. Segundo ela, o desafio das organizações está menos em definir onde se trabalha e mais em como liderar pessoas de forma conectada e responsável em ambientes físicos e digitais.
Para Carlos García, head de relações com stakeholders e comunicação interna da MARCO, empresas que colocam as pessoas no centro de suas estratégias tendem a obter vantagem competitiva. “Talentos se atraem por ambientes onde flexibilidade, propósito e crescimento caminham juntos. Investir em confiança e capacitação não apenas retém profissionais, como amplia seu potencial”, afirma.
Implicações diretas para o RH
Para o RH, os resultados da Pesquisa MARCO 2025 indicam que políticas de trabalho flexível, liderança adaptativa e equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixaram de ser diferenciais e passaram a compor a base da competitividade organizacional. Em um mercado cada vez mais orientado pela experiência do colaborador, a capacidade de estruturar modelos híbridos sustentáveis e lideranças preparadas tende a ser decisiva para atrair e reter talentos no médio e longo prazo.
A pesquisa foi conduzida entre maio e junho de 2025, por meio de questionário online, com amostra aleatória e representativa da população geral de cada país. O estudo abordou temas como cultura de trabalho, trabalho híbrido, liderança, engajamento com marcas e consumo de redes sociais, com o objetivo de antecipar tendências e apoiar estratégias de desenvolvimento organizacional e comunicação.
site:mundorh.com.br - 25/03/2026